Não sabemos quem somos. Sem cara, sem identidade, sem luta própria se olha no espelho essa gente; mas não dá, o espelho está embaçado. Alguém veio tomar banho aqui e esqueceu de arejar o lugar. Deu que agora não se vê um palmo a frente do nariz, vapor denso que fica até difícil de respirar. Juventude jovem essa, não se tinha visto de qualidade semelhante até então.

 Sem parâmetros, mas com muita energia. Quanto desperdício. É plural, múltipla, de mil caras esquizofrênicas. Tem medo de si própria, essa geração. Não se conhece, e deuzulivre conhecer. Afinal não se deve confiar em estranhos. Tateia num desespero por qualquer coisa certa, sabe que não poderá dizer no meu tempo. Já temos hora marcada, somos uma geração sem futuro. O planeta, o planeta não nos agüentará.

Há pouco tempo pra viver, é preciso entregá-lo cedo. Tanta vontade a juventudes carregam, mas essa: de quê? No entanto carrega a energia acumulada há milênios (essa geração não sabe onde está nem no tempo nem no espaço). Quebrou todas as barreiras, não há espaço que não possa ser coberto no instante de um giga. No entanto faz de tudo pra ter algo de se chamar de lar. É  carente essa geração. Seja lá de onde veio, não tem pra onde ir.

Encurralada, grita pelas estatísticas: superadas todas as desigualdades de gênero e raça -todas as vitaminas e sais mineiras balanceados- está mais doente do que nunca.

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Só pra comparar qual a diferença que um mês não faz na vida do meio ambiente de um país escandinavo.

Perdi o passsaporte, sim. No Valborgs perdi meu celular, tudo bem. Mas quebrar a perna faltando menos de um mês pras férias, é mole?! Gente, alguém explica como é possível tanta sorte.

blackbirds_for_web_againAliás deixa que eu explico, que mandar os outros fazer suas próprias coisas não dá liga. A Suécia é carolinamente conhecida por seus PÁSSAROS PRETOS. Não direi que todos são corvos, mas a variedade de pássaros que são pretos é assustadora. Coisa de louco. Eu acho eles nojentíssimos, até mais que pomba. E no inverno quando as árvores estão nuas -leia-se sem folhas- a cena fica horripilante.

Imagine você mesmo a caminhar por entre árvores de, sei lá, trinta metros ATULHADABirds%20GrackleS de pássaros pretos gralhando desesperadamente. Isso com o pôr-do-sol as quatro da tarde. Nem a Poliana do Carrossel acharia romântico. Na verdade é de arrepiar.

Bom, a teoria é que apesar de que o inverno tenha passado, os pássaros ficaram azarando a vida de todas as alvoradenses que vieram através do ERASMUS MUNDUS pra estudar na cidade. Fala sério, faz o maior sentido, não faz?

Assim brindarem vocês com uma foto verídica desse acontecimento real. Assim todo o Brasil terá pena de mim, colocará as bandeiras a meio mastro e acender uma vela pra espantar essa URUCUBACA loira, alta e de olhos azuis que assombra minha vida.

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Não me lembro donde, mas ouvi essa expressão por aí e tomei pra vida. Quero dizer, pro blogue. Aquela coisa de atualização CONSTANTE, novidades alucinantes e outras coisas excitantes em ritmo dinâmico; que o deveriam caracterizar anda meio por baixa por aqui, né?

Último mês de aulas, preparações para o verão. Vida Bandida.

Quinta passada, dia 30 de abril, foi Valborgs day por aqui. Que é quando na falta do que se comemorar, se comemora a primavera -o que faz sentido se constatar o tesão que o pessoal aqui tem em, quanta candura, ver o sol. Esse dia é valborgbasicamente uma grande festa, a festa que acontece na cidade de Lund. Mas é claro que ela não se resume a essa pacata cidade, é algo que acontece por toda Suécia, Finlândia e Alemanha, com suas variações. Pelo menos por aqui duas coisas não podem faltar: bebida e fogueira. A cidade toda corre pro parque central (digamos uma Redenção da vida) de manhã mui cedo, a partir das sete da matina. Tive o prazer de presenciar uma roda de capoeira em pleno Valborgs. Os mestres eram brasileiros, já os… pupilos? Nordicossíssimos (do superlativo de nórdicos). Pelas tantas, improvisaram uma roda de samba. PRA QUÊ?! Pulei dentro certo. Até uma bonita me convidar gentilmente pra revesar com ela puxando meus cabelos… Digo que não dá pra ficar ensinando esses gringos a sambar e ninguém me escuta.

Enfim, todos sentam na grama, bebem e comem mais apertado que porto-alegrense no busão em dia de passe livre; ao longo do dia vão debandando pras festas que se organizam pela cidade. Como aqui é cidade universitária, existem cerca de quatro grandes complexos de moradia estudantil, cada um mais ou menos teve sua festa ao ar livre (pelas minhas contas acabaram cerca de 22h). Claro que as festas continuaram, mas depois de se acender as fogueiras  (mas eu, nemvi&nemverei, não cheguei a testemunhar tal ocorrência)…

Mais do mesmo no blogue da Almeidão.

Superestimado: corria a boca pequena que a System Bolaget estaria totalmente vazia já na segunda-feira, nem foi tão apertado assim.

Subestimado: que se pode perder seus pertences em meio a grama e pessoas altas, loiras e de olhos azuis.

A Suécia é um país critão, de maioria protestante (chute mode on). Bem, o importante é que fui jantar com a família da Ebba. Família sueca, todos altos, loiros, de olhos azuis, naturalmente.

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Sentei na ponta sem pagar a conta!

O engraçado é que o menu era a la Rússia, a famosa sopa de coisas roxas chamada Borsch e umas panquecas que comeram com caviar e peixes crus. A sopa não é de todo mal, embora muita gente não goste; e, jesus, como caviar é BARATO aqui. E SALMÃO também. Gente, é quase mortandela. Ah, tudo com creme de leite.

Aqui existem 23 tipos de leite, 16 de iogurte, e 692 de queijo. Nunca tanta variedade inútil (pra quem não sabe ler as embalagens em sueco). Essas sessões no supermecados são gigantescas em comparação as nossas. Enfim, eu diria que cada receita demanda uma especialidade espécifica do variante do leite… Ah, acho que também gostam de geléia. NA COMIDA. Vejo muitos pratos de purê de batatas, almôndegas e… geléia. Passo longe. Então, recapitulando, derivados de leite, geléia, caviar, peixes que só o núcleo rico da novela das oito come; e batata. Todo mundo leu o Quincas Borba pro vestibular, né? Então, a massa do Ao Vencedor as Batatas acho que se aplicou aqui né?! Dá-lhe batata, dá-lhe IDH.

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Produção em massa

Voltando a Páscoa. De diferente? Não existe ovos de chocolate. Quer dizer, ter tem, mas não são populares. Assim pintamos ovos DE GALINHA, colocamos todos numa cesta e depois comemos, porque estavam cozidos. Ah, falando em galinácenos, aqui a galinha é símbolo pascoal também. O que até é lógico, não? Porque onde está o senso entre um ovo trazido por um COELHO, se coelho é mamífero e portanto gera suas crias em uma bolsa uterina, heim? É a Suécia na frente mais uma vez.

De curiosidade rápida, mas não fofoca porque DEUS ME LIVRE de fofoca: primeira vez que vejo uma família sueca reunida… super dóceis, super queridos uns com os outros, e as vezes ficavam EM SILÊNCIO juntos. Que coisa dignamente loira… Fico imaginando minha família em silêncio junto, nem em enterro; aliás, MUITO menos em enterro.

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Suecadinha tocando o terror

Isso foi na sexta, na quinta-feira antes da Páscoa, graças a seus misticismos que sabemos não possuir qualquer fundamento científico, as crianças são vestidas como bruxas e magos e levadas pro MUSEO da cidade pra brincar. O caso é que esse é o mais antigo museo a céu aberto do mundo. Sabe o Jardim da Paz, que diz que é “cemitério-parque” (linda expressão)? É tipo “museo-parque”. Passei lá aproveitando que nesse dia fica free a entrada lá.

Um milhão de suequinhos vestidos a caráter correndo de um lado pro outro com os pais ao redor. Bonito, bonito. Hm, parece que é pra representar as bruxas que antes da sexta-feira santa ficam a solta antes de se retirarem a um lugar chamado “Blue Rio” ou algo do tipo. Depois de sacudirem os esqueletinhos loiros por lá parece que é a parte em que elas saem atrás de doces, no caso se espera que os adultos dêem uma mãozinha, né? Sim, sim, super o que a gente entende por Dia das Bruxas…

Como já correu pela boca pequena, fiquei na Páscoa por essa Suécia de meu deus. Então criei um plano mirabolante e decidi executá-lo. Olhei bem fundo no espelho e disse a mim mesma: aprender-vou a andar de bicicleta. Por motivos traumático-infantis eu havia me convencido de que não precisava disso na minha vida. Até que o destino me colocou pra morar na cidade das bicicletas… não é fácil.

Enfim, olhei pra bici, ela olhou pra mim; rolou um química, ficamos. De começo deu certo, sabe? Me empolguei, achei que tinha encontrado uma razão de viver. Como diz a juventude, “me joguei”. Literalmente. Lomba, em curva e com cerca no sopé abaixo.

Eu estava sangrando de maneira sexy, no rosto. Isso foi na frente de uma casa de família. Lá de dentro me sai uma mulher, preocupada. Eu, mal e porcamente podendo pronunciar um “ok” com eficiência… ela se dá por satisfeita e volta a seus afazeres. Depois de levantar desse tombo que a vida me pregou, sacudi a poeira (havia muita).

Hoje, superados os acontecimentos, acho que amadureci, estou mais mulher. Amanhã vou ver se descolo uma bici pra chamar de minha, só minha, num leilão. A cidade é tão bicicletereira que parece que o município organiza leilões com as bicis órfãs e carentes. Estou me preparando pra xavecagem e azaração.

 

 

 

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Estacionamento da praça central de Lund fica de prova da adição da cidade por esse meio de transporte; quem sou eu pra ter opinião aqui?!

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Já que estamos na era da imagem, tomem fotos. Essa daí é dum parquinho aqui perto de casa (e como tem parque por aqui) e creio que o título suficientemente explicativo. Cabe acrescentar que final do inverno o que a prefeitura só parece fazer é cortar, cortar, cortar, cortar galhos secos.

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Bandeira de Christiania

Christiania é uma região autônoma dentro de Copenhage. Do tamanha de uma vizinhança, ou bairro, mas com uma certa independência política em relação a cidade. Reza a lenda que todas as decisões referentes a ela são tomadas pelos membros em reuniões democráticas. No pórtico de entrada está escrito: “você não está na União Européia”, mesmo assim Christiania paga imposto pro município.

Tudo começou no começo dos anos 70 quando uma unidade desativada do exército foi ocupada por hippies. Em pouquíssimos anos o pessoal se avolumou, criou filosofia e regras de convivência e ficou impossível de tirá-los de lá sem ficar chato. O governo dinamarquês tentou intervir diversas vezes no andamento da “cidade livre” (freetown), como é conhecida. No começo dos anos 90 aplicou por lá um plano de “normalização” (adoooro) que extinguiu o uso formal de drogas pesadas. A comunidade acatou e hoje em dia há apenas duas regras “nada de drogas pesadas” e “nada de fotos”. Sim, é proibido tirar fotos de dentro de Christiania sem a autorização prévia da comunidade.

Gente, meu mundo caiu quando eu descobri esse lugar. Não conferi a visita guiada que eles oferecem duas vezes ao dia, mas pretendo fazê-lo. O mais maktub foi encontrar, no meio dessa comunidade alternativa, no meio da capital de um dos países escandinavos, um GAÚCHO do interior de TORRES. Eu sei, nem eu acreditei. Me lembro que se chamava Carlos, e que tem uma banca na feira principal de Christiania. Ele foi boa gente e eu passei parte da noite ao redor de um fogueira reunida com seus… não sei, compas?

Tinha um moço do Oriente-Médio que dizia que no país de origem “caçava talibã” (eu não perguntei detalhes pois sou pacifista); francesa que surgiu de um arranjo de piercings e dreads; um guri CRISTÃO do leste europeu me apareceu lá também e batemos um papo bem legal… e depois ainda me parecem duas irmãs de um povo nativo da Groelândia, que por sinal é colônia da Dinamarca até hoje. Essas duas, aliás, estavam bebadaças e começaram a falar em ESPANHOL sobre como anda o povo delas por lá, tive a leve impressão que não ia bem.

Antes de ir embora fui dar uma olhada num bar chamado… Woodstock. Existem vários dentro da Chris, assim como diferentes espaços de vivência,cafés, restaurantes e essas coisas; também há um lagão e, claro, casas onde as pessoas moram. Ah, eles tem moeda própria também, chama  Løn. O site oficial deles está em dinamarquês, mas dá pra ver alguma coisa em inglês também. Menos de mil pessoas moram lá (segundo o Wikipédia, 850) mas o lugar recebe cerca de UM MILHÃO de turistas por ano. Haja alternatividade…

 

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Mural de uma das entradas (a esquerda tá ela)

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Pórtico da outra entrada entrada visto de dentro

Depois de chocar a sociedade ocidental nos últimos posts venho por meio desta informar que dia 6 de março passei o dia na capital da Dinamarca, Copenhagen. Sei que faz tempo que o ocorrido ocorreu, mas não é no Brazil que dizem que os últimos serão os primeiros? Assim é até útil o tempo decorrido que eu falo só dos fatos marcantes e não fico papagueando…

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gatíssima

O região em que fica a cidade em que estou se chama Skane, e antes pertencia a Dinamarca. Por isso até hoje essa área guarda semelhanças com esse outro país loiro que a distiguem do resto da Suécia. O sotaque é diferente (isso me contaram porque meu sueco anda fraco), por exemplo. Se a gente conferir alguns monumentos históricos por aqui as vezes está: “iniativa de tal autoridade dinamarquesa”.

É pertinho mesmo. Se pegando o trem de Lund pra Malmö são cerca de 15 minutos, até Copenhage é uma hora. Mais fácil que ir pra Cassino, né? Enfim, passei lá o dia passando de um castelo pro jardim real seguinte… um exagero de realeza. O charmoso de lá é a lenda Pequena Sereia. Não tou falando do personagem da Disney, mas da lenda que inspirou a Ariel. Então, é uma lenda dinamarquesa. Na beira do rio da cidade tem uma estátua dela, que foi construída em 1913 inspirada na lenda escrita por Andersen, famossíssimo escritor por aqui. Qualquer um pode chegar junto pra tirar uma foto, passar um xaveco ou lhe colocar uma luvinha.

Um desses que me empurrou, pega!

Também vi a troca de guarda real, com aqueles soldadinhos vestidos com o chapéu absurdamente rídiculo. A troca acontece poucas vezes ao dia, então é meio que uma atrasão turística, havia uma multidão enquanto eu conferia. O que não houve disputa foi pra tirar foto do ladinho dos guardas, que não poderiam se mexer A PRINCÍPIO. Sei que fui me “achegando”, toda serelepe pra tirar uma foto coladinha no pobre jovem soldado e… ele subitamente ME EMPURRA, dizendo: “mínimo de um metro de distância”. Gente, nada digno; tomem cuidado com esses guardas estátuas-vivas (mais vivos que estátuas).

Ah, visitei Cristiania.

Copenhagen, noite, por Silvia Sebben

E então a noite chegou… o lugar vira um carnaval nórdico. A cidade se enche de luzes, sem qualquer motivo aparente me senti em Berlim ou em Tóquio: as pessoas passando em estilos super diferentes, de babar. As brazileiras ques estavam comigo foram embora e eu fui encontrar a Ebba que estava indo pra irmos numa festa de música eletrônica por lá. O lugar da festa era gigantesco e algumas meninas (poucas) pareciam saídas da capa da Playboy, com aqueles modelitos mínimos, apesar do frio. Acho esse tipo de festa legal porque todo mundo dança virado pro DJ, não pros seu próprio grupo, e rola muito mais interação entre o pessoal que nem se conhece. Até a Ebba se espantou porque conheceu uma menina super legal lá, se espantou porque segundo sua opinião sueca dinamarqueses não são assim tão dados. E rola a maior intriga mesmo entre esses países escandinavos: vivem nesse bafafá de os finlandeses isso, os noruegueses aquilo…

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