Não sabemos quem somos. Sem cara, sem identidade, sem luta própria se olha no espelho essa gente; mas não dá, o espelho está embaçado. Alguém veio tomar banho aqui e esqueceu de arejar o lugar. Deu que agora não se vê um palmo a frente do nariz, vapor denso que fica até difícil de respirar. Juventude jovem essa, não se tinha visto de qualidade semelhante até então.

 Sem parâmetros, mas com muita energia. Quanto desperdício. É plural, múltipla, de mil caras esquizofrênicas. Tem medo de si própria, essa geração. Não se conhece, e deuzulivre conhecer. Afinal não se deve confiar em estranhos. Tateia num desespero por qualquer coisa certa, sabe que não poderá dizer no meu tempo. Já temos hora marcada, somos uma geração sem futuro. O planeta, o planeta não nos agüentará.

Há pouco tempo pra viver, é preciso entregá-lo cedo. Tanta vontade a juventudes carregam, mas essa: de quê? No entanto carrega a energia acumulada há milênios (essa geração não sabe onde está nem no tempo nem no espaço). Quebrou todas as barreiras, não há espaço que não possa ser coberto no instante de um giga. No entanto faz de tudo pra ter algo de se chamar de lar. É  carente essa geração. Seja lá de onde veio, não tem pra onde ir.

Encurralada, grita pelas estatísticas: superadas todas as desigualdades de gênero e raça -todas as vitaminas e sais mineiras balanceados- está mais doente do que nunca.

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