Como já correu pela boca pequena, fiquei na Páscoa por essa Suécia de meu deus. Então criei um plano mirabolante e decidi executá-lo. Olhei bem fundo no espelho e disse a mim mesma: aprender-vou a andar de bicicleta. Por motivos traumático-infantis eu havia me convencido de que não precisava disso na minha vida. Até que o destino me colocou pra morar na cidade das bicicletas… não é fácil.

Enfim, olhei pra bici, ela olhou pra mim; rolou um química, ficamos. De começo deu certo, sabe? Me empolguei, achei que tinha encontrado uma razão de viver. Como diz a juventude, “me joguei”. Literalmente. Lomba, em curva e com cerca no sopé abaixo.

Eu estava sangrando de maneira sexy, no rosto. Isso foi na frente de uma casa de família. Lá de dentro me sai uma mulher, preocupada. Eu, mal e porcamente podendo pronunciar um “ok” com eficiência… ela se dá por satisfeita e volta a seus afazeres. Depois de levantar desse tombo que a vida me pregou, sacudi a poeira (havia muita).

Hoje, superados os acontecimentos, acho que amadureci, estou mais mulher. Amanhã vou ver se descolo uma bici pra chamar de minha, só minha, num leilão. A cidade é tão bicicletereira que parece que o município organiza leilões com as bicis órfãs e carentes. Estou me preparando pra xavecagem e azaração.

 

 

 

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Estacionamento da praça central de Lund fica de prova da adição da cidade por esse meio de transporte; quem sou eu pra ter opinião aqui?!

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