Como eu sempre espero passar um tempinho antes de contar algo novo pra não parecer que eu não tenho mais o que fazer além de postar no blogue, vou relatar o final de semana passado, último de fevereiro.

Ebba, minha locatária (me sinto importantíssima ao usar essa palavra, com licença) estava com visita em casa: sua amiga de Estocolmo veio passar o finde. Essa amiga chama-se Eira -e eu fiquei pensando o quanto os nomes das duas não cairia bem numa dupla sertaneja. Na sexta quando eu cheguei em casa nós três jantamos juntas (BATATAS, que parece ser a base alimetícia num raio de vinte mil quilômetros) e depois mais amigos delas vieram pra casa. Tirei soneca, comemos um bolo de cenoura lindo que eu tinha pego na padaria em comemoração a chegada da bolsa de estudos. Quanto ao bolo, era ok, ao contrário do nosso no deles não vai chocolate, só cenoura mesmo; e pelo visto nem fermento tem, porque todos os bolos que eu comi aqui eram meio que abatumados, sacam? Mas como as pessoas estavam comendo e dizendo “que delíiiicia”, suponho que era assim pro bolos serem. Sei que apesar da festa ser da Ebba e do seu pessoal, eles foram super fofos e me levaram logo em seguida a casa de outro amigo que mora aqui pelas redondezas. Tocou música eletrônica, eu consegui um convite pra visitar a casa de uma menina chamada Sofia, mas não nos estendemos muito e voltamos pra casa pra dormir feito anjos.

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"Oi! Meu nome é Ebba e eu tenho um celular; e oi a direita, meu nome é Eira, e eu tenho uma amiga"

O importante é que no dia seguinte, sábado, na mesma casa o pessoal foi comemorar uma data sueca: na terça-feira da semana corrente aqui eles têm algo como “O Dia do Doce”. Reza a lenda que um macaco (COMO ASSIM BIAL?!) estava muito enjoado por causa do jejum de guloseimas pra Páscoa, então ele pegou um bolinho e no meio enfiou todas as delícias que pode. Assim ele comeu tudo que queria sem ninguém ficar sabendo. Nascendo a tradição de que todos nesse dia comam muitos doces, em especial esse um. Que por sua vez consiste em uma massa muito leve, meio pão-de-ló, meio massa de sonho, recheada com marzipã (eca) e chantili (eeeca), e polvilhada com açúcar de confeiteiro. Tadã, temos um doce tradicionalmente sueco. O importante é que nesse dia as pessoas são levadas a comer esse doce compulsoriamente. E os amigos da Ebba foram fazer essa comemoração no sábado.

Oi, meu nome é Carou e eu até gostei do doce; só não consigo dizer que sou fotogênica (note-se o porquê).

Oi, meu nome é Carou e eu até gostei do doce. Só não posso dizer que sou fotogênica (note-se o porquê).

Como no sábado eu fui ao aniversário da Aguimar, chegando pelas 21h em casa, Ebba & Eira já tinham saído. Mas o que elas tinham deixado? Um mapinha pra eu seguir e tentar achar a mesma casa em que tínhamos ido na noite anterior. Sim, eu consegui chegar lá sem ter de pedir informação pra mais de cinco pessoas. A casa estava bem mais cheia que na noite anterior, e as pessoas foram todas legaissíssimas conversando comigo. É que como não se trata de um círculo de pessoas de fora da Suécia, como o dos estudantes do intercâmbio que estudam comigo e moram na Spoletorpe, eu acabo ficando mais grata por sua simpatia, afinal eles não estam acostumados a conhecer pessoas de fora. Síndrome de terceiro mundo total, né? Mas o quê fazer… Como eu tinha chegado tarde, fiquei pouco por lá, logo saímos. Só deu tempo de falar com um meninos que me mostraram e falaram de uma coisa que tem por aqui: tabaco não-fumável. Juro que é verdade, gente. É que eles têm tabaco (ou seja lá o que vem dentro de um cigarro) em pequenos saquinhos (como os de chá, mas menores). As vezes com sabores, as vezes não; se usam em lugares em que não é permitido fumar. E as embalagens são pequenas latinhas redondas com várias “doses” dentro. Se usa colocando entre a gengiva e a bochecha e “esquecendo lá” por meia hora ou quanto desejar o freguês… Eu já tinha vistos as embalagens mas tinha achado que se tratavam de balinhas mesmo, oh engenuidade.

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