Quando se tem uma oportunidade de viajar por um longo período de tempo você pensa “Que bacana, vou conhecer pessoas novas”. Quando a viagem é com tudo pago você pensa “Nossa mãe, vou conhecer pessoas novas na faixa!”. Quando tudo isso acontece, e a viagem é pro exterior, então “Jesuuus, vou conhecer pessoas de várias nacionalidades! Pessoas totalmente diferentes! E tudo de graça!”.

Quando temos tudo isso, mas a viagem era pra Lund, Suécia, não é bem assim que acontece.

Primeiro dia. No hostel de repente nos damos conta que já é tarde demais pra conseguirmos comida em algum lugar. Iremos morrer de fome. Uma proveniente de Taiwan se adianta e nos ajuda. No dia seguinte nos passa o contato de seus colegas que são brasileiros. Legal.

Primeira semana. Nós, as brasileiras, no banco tentando abrir uma conta pra tentar receber a bolsa pra tentar pagar o aluguel. Uma de nós no telefone e… é suficiente prum brasileiro que passava pelo local reconhecer o gingado e trocar contato. Nossa!

Segunda semana. Mesmo abobalhada pela prateleira gigantesca de doces no mercado, ao fundo, começo a reconhecer um som aracterístico… ah, Língua Portuguesa, a senhora por aqui?! Mãe e filho brasileiros tentando entender o que dizia na embalagem de castanhas e morando na Suécia há dez anos. Trocamos contatos. Engraçadíssimo, mas mesmo assim legal.

Ainda nessa semana. Vamos a um pub? Vamos! Vamos encontrar o brasileiro e seus amigos? Claro que vamos! Vamos conhecer gente nova, pessoas totalmente diferentes, e tudo de graça? Vamooooos! Olhem, os amigos do brasileiro são… brasileiros também. Heim?!?

Terceira semana (não, eu não tenho a menor noção de tempo). Vou a um café, um evento feminista de discussão. Chegando (depois de MUITO tempo caminhando) lá, no meio de uma efusiva discussão alguém comenta que no Brazil também é assim… até tu, brutus?! Uma outra brasileira, mineira, fazendo mestrado em direito. Mas essa altura do campeonato, que é de se surpreender né?

No fim-de-semana, vou ao aniversário da mãe brasileira que conheci no supermercado. Conversa vai, conversa vem e ela: ah, eu esqueci de convidar uma outra brasileira que conheci sem querer, ela também é mineira e está fazendo mestrado em direito… OI?

Fico pensando como é possível. A nacionalidade brasileira deve ser a com maior nº de cabeços por metro quadrado mundial (aqui me refiro ao quesito espalhamento, não quantidade absoluta). Pelo menos tudo continua (mais ou menos) de graça. Oh, céus! Oh, vida!

Anúncios