Gastei preciosos momentos de um dia pensando se devia usar o original do filme como título, ou a tradução pro Brasil, Encontros e Desencontros mesmo. Fiquei naquela neurose: mas vão pensar que eu já tou querendo me aparecer mostrando intimidade com o Inglês; quantos fãs no Orcute vou perder… o de sempre. E em seguida superei, afinal, antes de eu lidar melhor com línguas estrangeiras (ou seja, tipo oito meses atrás) eu, no fundinho da alma, ficava achando meio xarope aquele pessoal que fazia bolo se o filme fosse dublado. Mas precisa jogar na cara?! pensava . Se precisava ou não agora eu também faço parte do time do filme-tem-que-ser-legendado. Moral da história: não fique achando as pessoas metidas gratuitamente, um dia vocês podem ter alguma opinião metida em comum.

Notem que ando, na falta de opção, superadíssima nos últimos dias.

Em uma tradução ou outra (engraçado já que o título literalmente seria perdid@ na tradução) o importante é que acabei lembrando do filme. Como posso explicar, estou tento meus desencontros geográficos… entendem? Já que estou morando a parte das demais brazucas e ainda não tenho celular habilitado por essas bandas nem facebook pra falar com os daqui mesmo, então o que me resta para achar os lugares e pessoas na hora e locais certos é o velho método da tabelinha.

– As nove na esquina do mercado, certo?!

– Certíssimo!

Cinco minutos antes de sair, puuuutz, mas era nove da noite ou da manhã?! Ou, no melhor dos casos: mas era o mercado mesmo?! Ferrada na certa. Mais ou menos desse jeito perdi minha primeira aula por aqui, festinhas, fora outras ocasiões de encontrar as brasileiras, etc.

Pra ser sincera, do filme mesmo não me lembro deveras. Na época todo mundo que viu, ou seja, todo mundo, me gritou nos ouvidos MAS TEM QUER! É O MELHOR FILME DO MUNDO! e o auê de sempre. Acarreta que fui submetida ao incrível transtorno pré-filme bombado (jesus, por que uso essas gírias e começo frases com o verbo acarretar?!): quando tanto comentário te enche de espectativas tamanhas que tu acaba é de saco cheio e, quando vê o filme, nem acha nada demais. Já faz bastante tempo que eu vi o filme, mas o que me lembro é que haviam os tais dois americanos em Tokio que se encontravam e ficavam perdidos juntos. 

Me ficou muito (mal) marcada a cena em que eles se conhecem no bar do hotel. Basicamente o Bob Harris (Bill Murray) fica fazendo a Charlotte (Scarlett Johansson) se rir. Ela, a garota, sempre como a passiva da ação. Como isso pode ser considerado regra pro feminino, afinal nós correntemente somos fodidas ao invés de foder (embora haja divergência, graças a deus!), talvez passe despercebido pra maioria de nós. Mas não é excessão que a heroína seja coadjuvante na (rel)ação. E ela tá lá ainda por cima só por causa do namorado dela, pelo menos o ator com quem se encontra era decadente pelo seu próprio trabalho. Talvez o filme nem se trata sobre isso, né? Ou só talvez é prematuridade minha mesmo em analisar filmes (eu aposto nessa). Afinal não conheço o resto do trabalho da Sofia Coppola que parece (sim, sou uma relapsa expectadora de cinema) tratar com inteligência a figura feminina em seus outros filmes.

Como última opção poderia dizer que me perdendo desse jeito, tanto no plano geográfico e no da crítica cinematográfica, só pode ser por que eu também tenho o meu o quê de Charlotte e só esteja um pouco cansa por hora.

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