Nossos primeiros dias da primeira semana passamos em um trem. Não é linguagem figurada porque é do que se tratava a estadia:  o hostel era num trem desativado. Mandei pra duas pessoas postais desse hostel. Agora lembrar quem, oh esperanca.

Passamos os primeiros dias (e noites) atrás de moradia: lendo ofertas na internet; telefonando e tentando visitar lugares. No fim, sexta-feira última, passamos no escritório que cuida dos internacionais da universidade e subtamente havia moradia pra nós numa das “casas de estudantes” deles. Tínhamos de fato pedido por email moradia da universidade mas, conforme o site, estávamos na lista de espera. Mas agora, já tínhamos nossos lugares garantidos. Estranhíssimos, mas discutir pra quê, né?!

Falei tudo no coletivo porque de fato esse épico estrelamos Ana, Mariana, Sílvia e eu (o burro vai na frente, já diria o Professor Girafales); porém, contudo, entretanto, todavia, eu me destaquei da trupe, ao menos geograficamente. Durante o final de semana fiquei me remoendo sobre mudar. Tinha visitado a casa de uma sueca que queria alugar o quarto e tinha simpatizado muitissíssimo. Na dúvida, convidei ela pra visitar meu quarto na “Casa Internacional” onde estávamos no domingo. Sim, os intercâmbistas têm uma casa em especial. Ela é super bem equipada e bem alocada; mas o seu preco acompanha, porque não é barata. A Sueca veio e foi tranqüilo, mas a incerteza ainda me fez ficar de confirmar mais tarde se eu permaneceria na casa de estudante…

Chegamos então a segunda-feira da corrente semana e precisavamos de um endereco pra abrir a conta no banco que, por sua vez, teríamos de ter pra receber a bolsa de estudos. Corre pra banco (os daqui têm os horários parecidos com os brazucas) e corre pra escritório da universidade, e fala com a coordenadora do programa… no fim tive que escolher na mesma tarde o que fazer da vida. O bonito é que eu tinha que fazer a mudanca e entregar as chaves do meu quarto na Casa Internacional para o funcionário do escritório que, DETALHE, fica três horas por semana aberto.

O jeito foi me mandar pra fazer a mudança, achar o caminho pra nova casa, deixar minhas coisas lá, voltar e ainda devolver as chaves para o valoroso funcionário da universidade. É CLARO que quando eu botei o pé na rua, coberta por malas e mochila pesadas começou a nevar. Mesmo assim, conclui a mudança a tempo pra ainda fazer uma cara de ferrada pro funcionário a quem eu devia entregar as chaves ficar de consciência pesada.

Pela dor, então, escolhi ficar morando no quarto da sueca -aliás o nome dela é Ebba. Se trata de uma casa grande cujo segundo andar é alugado pra jovens que o dividem. O primeiro andar é do, e só do, manlord. Por assim  dizer, nosso Senhor Barriga; acho que só vi ele uma vez, e ele nem me cobrou quatorze meses de aluguel. No segundo andar, a direita fica a parte destina a mim e a Ebba. A esquerda moram, parece, mais quatro jovens. O chuveiro/banheira fica na parte deles da casa, mas mesmo assim só os conheço de vista. Não é que eu tome poucos banhos, eles é que são retirados, juro!

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